A presença dos artistas transformistas é parte importante da cultura da cidade de Belo Horizonte, sobretudo nas manifestações culturais LGBT. Há pessoas que trabalham com isso faz vários anos e ajudaram a construir uma identidade própria desse movimento na capital mineira. Junto a isso, surgem novos artistas a todo o tempo para compor essa cena. São diversos tipos de motivações e histórias que essas pessoas carregam.
O crescimento de artistas do ramo tem sido enorme nos últimos anos e grandes referências estão em voga. Porém, elas servem como ponto de partida para conhecer os artistas locais, mas não há uma iniciativa que tenha conseguido documentar de fato a vivência e as histórias dessas pessoas. O problema desse trabalho se dá na falta de registo, divulgação e visualização em diversas mídias do assunto dos artistas transformistas da cidade de Belo Horizonte.
Desenvolver um trabalho audiovisual interativo com caráter documental sobre os artistas transformistas da cidade de Belo Horizonte utilizando estratégias transmídia como uma forma de construção de narrativa. Experimentar diferentes mídias para a criação de uma narrativa que sejam condizentes com o perfil do projeto sob o olhar do design.
Ao longo de cerca de três meses, tive a oportunidade de desenvolver pesquisa bibliográfica e de campo sobre o assunto. Essa imersão foi essencial para entender o público que o projeto buscava alcançar, coletar referências visuais e ouvir pessoas envolvidas na arte do transformismo.
80
artistas mapeados
6
eventos visitados
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entrevistas
Como resultado do projeto temos a produção de uma narrativa transmídia composta por 5 vídeos online, integração com redes sociais, pôsteres de cada um dos artistas e o desenvolvimento de web app com reconhecimento facial para identificar os pôsteres e redirecionar para os vídeos produzidos e redes sociais. Através desse desenvolvimento, foi possível criar um solução que pudesse ser acessada por diversas pessoas em diferentes ambientes em que elas podem encontrar os artistas. Isso ajudou a dar visibilidade à comunidade e a gerar conteúdo que os participantes podem utilizar para impulsionar seu trabalho.
A identidade visual estabelecida para o projeto gira em torno da ideia de que os artistas transformistas participantes criam uma personalidade própria para se apresentar. Muitas vezes, essa personalidade é muito diferente de como a pessoa é na “vida real”. O nome do projeto é uma forma de reforçar esse posicionamento de identidade, que pode ter um caráter político e de resistência, ao colocar foco no nome e na frase “pode me chamar de...”. Essa frase também funciona como um incentivo para que as pessoas da cidade valorizem o trabalho desses artistas e assistindo suas apresentações e convidando-os a fazer outros trabalhos.
Ao se tratar da abordagem transmídia, é importante estabelecer uma narrativa dentre as diferentes mídias utilizadas e de manter o engajamento do público selecionado. Para isso, foi planejada uma jornada de usuário com diversas entradas e saídas possíveis nos meios virtuais e físicos, característica de um projeto transmídia.
Como uma das formas de divulgação, existem pôsteres de cada uma das drag queens. Ele têm como elementos principais a foto e o nome do artista para fácil identificação e foram usados em festas em Belo Horizonte.
Pode Me Chamar está presente em plataformas online de redes sociais e também tem uma aplicação web mobile que centraliza os acessos para todos os conteúdos. Essa aplicação contém uma funcionalidade de reconhecimento facial: ao apontar a câmera do dispositivo para um dos pôsteres, o usuário é direcionado à página da drag queen correspondente com um vídeo resumindo a participação dela no projeto, as suas redes sociais e um link para o documentário completo.
A experiência fica completa com um curta documentário dividido em 5 episódios com temáticas diferentes contando as histórias das 5 pessoas entrevistadas, registros de diversos artistas de Belo Horizonte e performances que foram apresentadas a público durante o período de realização do projeto.
Pode Me Chamar foi exibido no programa Faixa de Cinema da TV Rede Minas e no 29º Encontro Nacional de Estudantes de Design e no CineClube da Universidade do Estado de Minas Gerais. O projeto foi selecionado para compor o catálogo da 13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico.
Software utilizado: